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Eu comecei a agropecuária aos 24 anos, vim para Joinville no início de abril de 1991 e abrimos a loja em 1º de maio de 1991. Eu era magro e seco, pesava 67 quilos e, além disso, era visto como um forasteiro italiano no meio dos alemães, que por sinal, eram muito desconfiados.
Trabalhei sozinho praticamente por um ano e meio, vendia durante o dia e entregava com uma saveiro depois que fechava a loja. Como todo início é difícil, com pouco dinheiro, não podia gastar, fizemos um quartinho para mim nos fundos da loja, feito com lona preta, e mesmo com lona no forro, o cupim caía na cama. Eu tinha apenas uma cama, um circulador de ar, pois era um forno de quente, um fogão de 2 bocas desses usados por caminhoneiros (para eu fazer meu arroz com ovo e, à noite, uma sopinha de pacote), uma panela, uma frigideira, um prato, um garfo e um copo que trouxe da casa da minha mãe, e uma geladeira que comprei usada, para ter onde guardar as coisas e fazer meu café da manhã para não gastar.
Mais tarde, quando as coisas melhoraram, eu tomava café e almoçava no Moacir Maba. Uma coisa que me deixou muito triste foi quando um dia eu fui almoçar no Moacir, e o gerente da Colinorte (que não lembro o nome agora) e o dono do Belke Material de Construção estavam falando sobre mim, dizendo que eu não duraria 6 meses com as portas abertas, e eu estava atrás deles, pois eles não perceberam minha presença. Quem me consolou na época foi o Moacir, que presenciou isso e viu que eu escutei e fiquei bem desapontado; ele, depois que passou o movimento do almoço no seu restaurante, veio na loja me dizer que não deveria dar ouvidos a eles, porque eles eram muito invejosos, e isso tinha acontecido o mesmo quando ele havia vindo para Pirabeiraba.
No primeiro e segundo mês, realmente foram muito difíceis, porque raramente, além de eu ter iniciado a loja com pouquíssima mercadoria em estoque, também dificilmente entravam clientes na loja, porque os alemães, além de serem muito desconfiados, eram muito fiéis à Colinorte e à Agropecuária e Materiais de Construções Belke, que eram muito fortes e estruturados na época, e além disso, os alemães também eram muito bairristas, ou seja, dificilmente compravam de pessoas que vinham de fora.
Com isso, o que eu vendia bastante era alpiste, painço, racões de pássaros, gaiolas e até passarinhos; normalmente, os clientes eram mais os caboclos da Canela. Diante disso, eu fui conversar com o Sr. Arno Krelling e falar da minha dificuldade, até mesmo para pagar o aluguel, pois na época o prédio era do Sr. Arno, onde antes da agropecuária era a loja de tintas dos filhos do Sr. Arno, o Nilton (pai do Fernando Krelling, hoje deputado federal) e Amilton Krelling (se não me engano). E nessa conversa, ele me disse que os alemães precisam primeiro conhecer bem as pessoas, aí começam a ganhar confiança.
Como na época um dos poucos clientes que eu tinha, o único mais influente nesse meio era o Sr. Evaldo Flait (que sempre tive muita admiração pela ajuda que ele me deu no início), ele tinha uma oficina mecânica, onde a maioria dos pirabeirabenses eram seus clientes; e ele também tinha uma chácara, onde criava bois, ovelhas e búfalos (se não me engano). E como ele vinha normalmente no final do dia, depois de fechar a oficina, para pegar ração e levar para a chácara, ele gostava muito de uma cachaçinha, e eu tinha uma barraquinha de cachaça em cima do balcão para dar para alguns clientes, e nós sempre acabávamos tomando umas pingas juntos e conversando.
Em uma dessas conversas, ele me disse que toda semana atirara na Sociedade Guarani e no Rio da Prata. Foi então que eu pedi para ele se poderia me levar junto e me apresentar para seus amigos, pois ele conhecia praticamente todos. E assim foi, eu comecei a frequentar todas as semanas, sem faltar um dia de tiro, tanto no Guarani quanto no Rio da Prata, e isso depois também me levou a frequentar a Sociedade Mildau, a Sociedade Dona Francisca, a Sociedade Ginástica na Rua XV de outubro, no Rio Bonito, e a Sociedade Jacó, no Piraí; bem como as festas de tiro ao alvo e também todas as festas juninas de escolas e festas das igrejas, sem perder uma sequer.
Como nessas sociedades e festas participavam muitos casais e até os filhos, eu comprava vários cartões de cerveja e refrigerante, para onde tivesse a família (marido, esposa e filhos), eu cumprimentava e entregava uma cerveja e um refrigerante de cortesia, e com isso ganhava sua simpatia, amizade, confiança e apreço; e com isso, eles começaram a frequentar a agropecuária para conhecer a loja. Como sempre fui muito comunicativo e conhecia muito bem o que eu vendia, falava de cada produto com muita segurança e propriedade, eles passaram a acreditar em mim e começaram a comprar.
E o que era um problema, ter a loja vazia por pouco estoque, aos poucos os clientes começaram a confiar ainda mais, a ponto de comprar adubos e defensivos para eu entregar na safra pagando antecipadamente. Com isso, eu consegui encher a loja de mercadoria, deixando-a visivelmente mais atraente, pois em pouco tempo o que era um salão quase vazio estava cheio, e aos olhos dos clientes isso me ajudou muito, chegando ao ponto de eu ter de fazer um puxado na loja para colocar mais mercadorias.
Com isso, compramos uma Ford F350 a gasolina do Sr. Voigt, da entrada da estrada Quiriri, para poder fazer as entregas; com isso, aumentamos o puxado para fazer a garagem para ela, e já aumentamos mais para aumentar o depósito para armazenar mais mercadorias, porque o fluxo de clientes que começaram a comprar e pagar produtos adiantados era muito grande, porque na época as mercadorias subiam de preço muito rápido, de uma semana para a outra. Em 1º de março de 1994 entrou a URV (Unidade Real de Valor), onde passamos a usar uma tabela de conversão diária, porque todo dia mudava o preço pra maior é claro.
Bom, no final das contas, eu fiz muitas amizades e muitos bons clientes, e quando passei a loja para a Tia Ilda administrar, ela continuou o belo trabalho, se dedicando de tal forma que hoje continuamos lá, e a Colinorte e o Belke, infelizmente, fecharam suas portas.
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